Erivan Alves de Almeida, 63 anos, alagoano que ficou conhecido no
Brasil inteiro como Zinho, o mestre do forró, faleceu por volta das 17h
deste domingo no Hospital Mário Kröeff, no bairro da Penha, cidade do
Rio de Janeiro. O cantor e compositor, nascido em Rio Largo,
recuperava-se do tratamento de um câncer de próstata e havia sido
surpreeendido pelo crescimento de um nódulo pescoço. Em virtude disso,
o músico estava internado desde o último dia 22.O sepultamento será no
Rio de Janeiro. O local e o horário ainda será definido.
"Ele já tinha outra família constituída aqui no Rio de Janeiro e não
achamos justo tirá-lo daqui para sepultar em Maceió. Ainda estamos
decidindo onde será sepultado, pois a médica ainda não liberou o corpo
para o velório"- explica Márcio Roberto de Almeida, o segundo, dos
cinco filhos, do primeiro casamento do cantor.
De acordo com a Margô Casas, esposa de Zinho, o cantor estava se
alimentando com sonda, respirando com a ajuda de aparelhos e passava a
maior parte do tempo sedado. O filho do cantor, Márcio Roberto, disse
por telefone que o pai não reagia a estímulos desde a sexta-feira.
Neste domingo ele teve uma parada cardíaca.
Trajetória
No embalo da sanfona, do batuque da zabumba e do tilintar do triângulo,
‘Mestre Zinho’, apelido que ganhou do rei do baião, Luiz Gonzaga,
conseguiu fazer sucesso e ter o seu trabalho reconhecido ainda na
década de 80.
São deles composições que caíram no gosto popular e, até hoje, ainda
estão na ponta da língua de todo mundo: ‘...dancei com documento na
mão...’, ‘...ai ai, meu bem, por isso eu não te troco por ninguém...
Mas antes de começar carreira solo, o artista participou, por oito
anos, do famoso grupo ‘Os Três do Nordeste’, de Campinha Grande. Para
conseguir ser selecionado para a vaga de vocalista, ele contou com a
ajuda do radialista Romildo Freitas, que à época, apresentava um
programa de forró e conhecia a maior parte dos músicos que tocava o
tradicional forró pé-de-serra.
No seu disco ‘Murro em ponta de faca’, Zinho trouxe participações
ilustres, a exemplo de Dominguinhos, Amelinha e Luiz Gonzaga, que
morreu um ano depois.
Nem depois de ter sofrido um grave acidente de carro, em 2006, que
tirou parte dos movimentos de uma das suas mãos, Zinho desistiu do
forró. Mesmo com dificuldade na coordenação motora, ele conseguiu ser
também um dos maiores triangulistas do pé-de-serra.
Durante a carreira solo, Zinho também fez participações em álbuns
gravados por outros artistas que, tanto quanto ele, cantam o forró:
‘Fruto’, de Elba Ramalho, e ‘Forró de cabo a rabo’, que foi promovido
pelo Centro Cultural Banco do Brasil.